25 de fevereiro de 2008


Tempo e Artista
(Chico Buarque)


Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela

Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso

Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz e o tempo canta

Dança o tempo sem cessar montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista o infinito


"Tempo e Artista", canção de Chico Buarque lembra um poema e vice-versa, incrivelmente bela e tocante. Os versos formam um canto compassado, dividido em sílabas, "I-ma-gi-no-o-ar-tis-ta-num-an-fi-tea-tro-on-de-o-tem-po-é-a-gran-de-es-tre-la", apontando o artista que, ao fluir da vida, vence a voragem infinita do tempo que invade sua pele, sua voz. Aqui, o músico transborda sua capacidade expressiva, a carga emocional que arrebata o poeta.

3 comentários:

Rafael Missio disse...

Muito boa a postagem... Também tempoema nas músicas de Chico...
Um grande bj querida.

Cecília Borges disse...

Assino embaixo!
Bj

Igor disse...

Chico é Chico, e vice-versa...
Todos somos marionetes do tempo, e a razão de nos deixarmos levar nesse teatro são as sensações, que não se apagam... esse é nosso patrimônio íntimo infinito...
Ótima postagem...
Bj

25 de fevereiro de 2008


Tempo e Artista
(Chico Buarque)


Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela

Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso

Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz e o tempo canta

Dança o tempo sem cessar montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista o infinito


"Tempo e Artista", canção de Chico Buarque lembra um poema e vice-versa, incrivelmente bela e tocante. Os versos formam um canto compassado, dividido em sílabas, "I-ma-gi-no-o-ar-tis-ta-num-an-fi-tea-tro-on-de-o-tem-po-é-a-gran-de-es-tre-la", apontando o artista que, ao fluir da vida, vence a voragem infinita do tempo que invade sua pele, sua voz. Aqui, o músico transborda sua capacidade expressiva, a carga emocional que arrebata o poeta.

3 comentários:

Rafael Missio disse...

Muito boa a postagem... Também tempoema nas músicas de Chico...
Um grande bj querida.

Cecília Borges disse...

Assino embaixo!
Bj

Igor disse...

Chico é Chico, e vice-versa...
Todos somos marionetes do tempo, e a razão de nos deixarmos levar nesse teatro são as sensações, que não se apagam... esse é nosso patrimônio íntimo infinito...
Ótima postagem...
Bj