1 de agosto de 2011


pra escrever poesia
não é necessário saber
de árvores e de pássaros

além da solidez do caule
e da sutileza do voo

tampouco saber do mar
que dele só quem sabe são os peixes
e as embarcações que se foram

pra escrever poesia
não é necessário ar ou água

necessário é que se saiba
que a poesia já está escrita
em tudo quanto haja


Juliana Meira
A foto fiz na praia do Cardoso, em Santa Catarina.

Este poema foi objeto da reflexão de Gustavo Goulart, a qual pode ser lida nos comentários do post.

9 comentários:

Renato de Mattos Motta disse...

pra escrever poesia
aja sobre o que haja
e se não houver,
finja
antes que a idéia
fuja

Juliana Meira disse...

grata por tua visita, Renato. abraços

Paula disse...

que lindo!

Juliana Meira disse...

obrigada, Paula!

Renato de Mattos Motta disse...

puxa... saudade...
faz tempo que nãop tempoema por aqui...

Juliana Meira disse...

Renato, aí vai um do Wallace. abraço!

Alexandre Brito disse...

Ju,
poema lindo demais da conta!

:O)

olha só,
meu site mudou.
por favor atualize seu link para www.alexandrebrito.net.br

abraço.
Alexandre Brito

Juliana Meira disse...

Alexandre, obrigada!
teu site está muito legal e agora atualizado aqui no blog. valeu (=

Juliana Meira disse...

Juliana Meira por Gustavo Goulart:

No último terceto do poema que aqui, o poeta Ozias publica (de Juliana Meira) em seu "Relógio Avariado de Deus" é onde se pode encontrar o que na "Poética" (Aristóteles) é chamado de "sublime". A poetiza consegue ali, aceitando o desafio muito útil de Harold Bloom, vencer: A angústia da influência - teoria de fins do século XX que até agora não parece encontrar rivais. Pois: de um dos heterônimos de Pessoa até Drummond, o assunto já foi tratado com maestria perene. Esta poetiza, achado de Ozias, dá o mesmo recado, mas consegue impor sua ASSINATURA pessoal. Nota-se o eco. Mas a forma é outra. Impossível negar a boa pena da escritora. Nestes tempos atuais de um Eros social e pessoal, partido (Freud e Baudrillard), não temos mais "história", nosso "Totem-referência" está sumido; ou não o construímos. E isto reflete na poesia. Nossos poetas carecem de num Norte. É compreensível que nas tentativas diversas, a maioria afunde.
Porém Juliana Meira mostra que, de novo, o "gênio poético" dorme às vezes, mas é como Eros e a Morte: eterno. E traz uma poesia moderna que não nega o Cânone. E sabe retirar dele, substrato para a continuação. Temos então uma poetiza de nosso tempo, de nossos problemas e alegrias. O que, sabidamente, dá-nos um alento. Já afastada da geração atual de poetas brasileiros que começaram a se firmar nos anos 1980, o "gênio poético" nos dá Juliana. O tom maior de suas formas é o poema simples, menos atado à fôrma, à pontuação e mais atuante na mensagem e na forma de apresentar o que hoje, está esquecido. Ler Meira é adquirir ferramentas para que se reerga um Eros mais coeso.


GUSTAVO GOULART é jornalista. Ex-crítico literário, ex-crítico de cinema. Atualmente, Consultor Político e de Comunicação. (Dizem alguns que é também, poeta. Coisa que ele julga ser apenas "intrigas da oposição".)

1 de agosto de 2011


pra escrever poesia
não é necessário saber
de árvores e de pássaros

além da solidez do caule
e da sutileza do voo

tampouco saber do mar
que dele só quem sabe são os peixes
e as embarcações que se foram

pra escrever poesia
não é necessário ar ou água

necessário é que se saiba
que a poesia já está escrita
em tudo quanto haja


Juliana Meira
A foto fiz na praia do Cardoso, em Santa Catarina.

Este poema foi objeto da reflexão de Gustavo Goulart, a qual pode ser lida nos comentários do post.

9 comentários:

Renato de Mattos Motta disse...

pra escrever poesia
aja sobre o que haja
e se não houver,
finja
antes que a idéia
fuja

Juliana Meira disse...

grata por tua visita, Renato. abraços

Paula disse...

que lindo!

Juliana Meira disse...

obrigada, Paula!

Renato de Mattos Motta disse...

puxa... saudade...
faz tempo que nãop tempoema por aqui...

Juliana Meira disse...

Renato, aí vai um do Wallace. abraço!

Alexandre Brito disse...

Ju,
poema lindo demais da conta!

:O)

olha só,
meu site mudou.
por favor atualize seu link para www.alexandrebrito.net.br

abraço.
Alexandre Brito

Juliana Meira disse...

Alexandre, obrigada!
teu site está muito legal e agora atualizado aqui no blog. valeu (=

Juliana Meira disse...

Juliana Meira por Gustavo Goulart:

No último terceto do poema que aqui, o poeta Ozias publica (de Juliana Meira) em seu "Relógio Avariado de Deus" é onde se pode encontrar o que na "Poética" (Aristóteles) é chamado de "sublime". A poetiza consegue ali, aceitando o desafio muito útil de Harold Bloom, vencer: A angústia da influência - teoria de fins do século XX que até agora não parece encontrar rivais. Pois: de um dos heterônimos de Pessoa até Drummond, o assunto já foi tratado com maestria perene. Esta poetiza, achado de Ozias, dá o mesmo recado, mas consegue impor sua ASSINATURA pessoal. Nota-se o eco. Mas a forma é outra. Impossível negar a boa pena da escritora. Nestes tempos atuais de um Eros social e pessoal, partido (Freud e Baudrillard), não temos mais "história", nosso "Totem-referência" está sumido; ou não o construímos. E isto reflete na poesia. Nossos poetas carecem de num Norte. É compreensível que nas tentativas diversas, a maioria afunde.
Porém Juliana Meira mostra que, de novo, o "gênio poético" dorme às vezes, mas é como Eros e a Morte: eterno. E traz uma poesia moderna que não nega o Cânone. E sabe retirar dele, substrato para a continuação. Temos então uma poetiza de nosso tempo, de nossos problemas e alegrias. O que, sabidamente, dá-nos um alento. Já afastada da geração atual de poetas brasileiros que começaram a se firmar nos anos 1980, o "gênio poético" nos dá Juliana. O tom maior de suas formas é o poema simples, menos atado à fôrma, à pontuação e mais atuante na mensagem e na forma de apresentar o que hoje, está esquecido. Ler Meira é adquirir ferramentas para que se reerga um Eros mais coeso.


GUSTAVO GOULART é jornalista. Ex-crítico literário, ex-crítico de cinema. Atualmente, Consultor Político e de Comunicação. (Dizem alguns que é também, poeta. Coisa que ele julga ser apenas "intrigas da oposição".)