pra escrever poesia não é necessário saber de árvores e de pássaros
além da solidez do caule e da sutileza do voo
tampouco saber do mar que dele só quem sabe são os peixes e as embarcações que se foram
pra escrever poesia não é necessário ar ou água
necessário é que se saiba que a poesia já está escrita em tudo quanto haja
Juliana Meira A foto fiz na praia do Cardoso, em Santa Catarina. Este poema foi objeto da reflexão de Gustavo Goulart, a qual pode ser lida nos comentários do post.
No último terceto do poema que aqui, o poeta Ozias publica (de Juliana Meira) em seu "Relógio Avariado de Deus" é onde se pode encontrar o que na "Poética" (Aristóteles) é chamado de "sublime". A poetiza consegue ali, aceitando o desafio muito útil de Harold Bloom, vencer: A angústia da influência - teoria de fins do século XX que até agora não parece encontrar rivais. Pois: de um dos heterônimos de Pessoa até Drummond, o assunto já foi tratado com maestria perene. Esta poetiza, achado de Ozias, dá o mesmo recado, mas consegue impor sua ASSINATURA pessoal. Nota-se o eco. Mas a forma é outra. Impossível negar a boa pena da escritora. Nestes tempos atuais de um Eros social e pessoal, partido (Freud e Baudrillard), não temos mais "história", nosso "Totem-referência" está sumido; ou não o construímos. E isto reflete na poesia. Nossos poetas carecem de num Norte. É compreensível que nas tentativas diversas, a maioria afunde. Porém Juliana Meira mostra que, de novo, o "gênio poético" dorme às vezes, mas é como Eros e a Morte: eterno. E traz uma poesia moderna que não nega o Cânone. E sabe retirar dele, substrato para a continuação. Temos então uma poetiza de nosso tempo, de nossos problemas e alegrias. O que, sabidamente, dá-nos um alento. Já afastada da geração atual de poetas brasileiros que começaram a se firmar nos anos 1980, o "gênio poético" nos dá Juliana. O tom maior de suas formas é o poema simples, menos atado à fôrma, à pontuação e mais atuante na mensagem e na forma de apresentar o que hoje, está esquecido. Ler Meira é adquirir ferramentas para que se reerga um Eros mais coeso.
GUSTAVO GOULART é jornalista. Ex-crítico literário, ex-crítico de cinema. Atualmente, Consultor Político e de Comunicação. (Dizem alguns que é também, poeta. Coisa que ele julga ser apenas "intrigas da oposição".)
pra escrever poesia não é necessário saber de árvores e de pássaros
além da solidez do caule e da sutileza do voo
tampouco saber do mar que dele só quem sabe são os peixes e as embarcações que se foram
pra escrever poesia não é necessário ar ou água
necessário é que se saiba que a poesia já está escrita em tudo quanto haja
Juliana Meira A foto fiz na praia do Cardoso, em Santa Catarina. Este poema foi objeto da reflexão de Gustavo Goulart, a qual pode ser lida nos comentários do post.
No último terceto do poema que aqui, o poeta Ozias publica (de Juliana Meira) em seu "Relógio Avariado de Deus" é onde se pode encontrar o que na "Poética" (Aristóteles) é chamado de "sublime". A poetiza consegue ali, aceitando o desafio muito útil de Harold Bloom, vencer: A angústia da influência - teoria de fins do século XX que até agora não parece encontrar rivais. Pois: de um dos heterônimos de Pessoa até Drummond, o assunto já foi tratado com maestria perene. Esta poetiza, achado de Ozias, dá o mesmo recado, mas consegue impor sua ASSINATURA pessoal. Nota-se o eco. Mas a forma é outra. Impossível negar a boa pena da escritora. Nestes tempos atuais de um Eros social e pessoal, partido (Freud e Baudrillard), não temos mais "história", nosso "Totem-referência" está sumido; ou não o construímos. E isto reflete na poesia. Nossos poetas carecem de num Norte. É compreensível que nas tentativas diversas, a maioria afunde. Porém Juliana Meira mostra que, de novo, o "gênio poético" dorme às vezes, mas é como Eros e a Morte: eterno. E traz uma poesia moderna que não nega o Cânone. E sabe retirar dele, substrato para a continuação. Temos então uma poetiza de nosso tempo, de nossos problemas e alegrias. O que, sabidamente, dá-nos um alento. Já afastada da geração atual de poetas brasileiros que começaram a se firmar nos anos 1980, o "gênio poético" nos dá Juliana. O tom maior de suas formas é o poema simples, menos atado à fôrma, à pontuação e mais atuante na mensagem e na forma de apresentar o que hoje, está esquecido. Ler Meira é adquirir ferramentas para que se reerga um Eros mais coeso.
GUSTAVO GOULART é jornalista. Ex-crítico literário, ex-crítico de cinema. Atualmente, Consultor Político e de Comunicação. (Dizem alguns que é também, poeta. Coisa que ele julga ser apenas "intrigas da oposição".)
Nasci no abril de 1981, em Carazinho/RS. Morei em Porto Alegre e hoje vivo em Curitiba.
Os poemas que escrevi estão em caixas de fósforo na Coleção Fogo do Verbo, 2008; no primeiro livro, poema dilema, Editora Porto Poesia, 2009; no segundo, que não leva título e integra o Projeto Instante Estante de incentivo à leitura, publicado pelo selo Castelinho Edições em 2012, e no mais recente, poema pássaro, Editora Patuá, 2015.
Os poemas também estão no volume IX da Antologia Proyecto Cultural Sur-Brasil/Poesia do Brasil, 2009; no Caderno de Literatura da Ajuris, 19ª ed., 2010;
na Z Revista de Poesia, números 1 e 2, edição de Paco Cac, 2012; na Coletânea Palavras, coordenação de Hilda Flores, 2013; na Revista de Poesia Cafeína nas Veias, número 2, Vidráguas, 2014; no ebook Terrário, organizado por Vagner Muniz, 2015. Nas exposições: Poema em Foco – poema em linguagem Braille; Código Coletivo – poema em QR-Code; Cartões Galantes – poema em cartão, todas sob curadoria de Sandra Santos.
E aqui: Blocos Online – Portal de Literatura e Cultura; Germina – Revista de Literatura e Arte; Mallarmargens – Revista de Poesia e Arte Contemporânea.
Meu e-mail é julianameira@outlook.com
9 comentários:
pra escrever poesia
aja sobre o que haja
e se não houver,
finja
antes que a idéia
fuja
grata por tua visita, Renato. abraços
que lindo!
obrigada, Paula!
puxa... saudade...
faz tempo que nãop tempoema por aqui...
Renato, aí vai um do Wallace. abraço!
Ju,
poema lindo demais da conta!
:O)
olha só,
meu site mudou.
por favor atualize seu link para www.alexandrebrito.net.br
abraço.
Alexandre Brito
Alexandre, obrigada!
teu site está muito legal e agora atualizado aqui no blog. valeu (=
Juliana Meira por Gustavo Goulart:
No último terceto do poema que aqui, o poeta Ozias publica (de Juliana Meira) em seu "Relógio Avariado de Deus" é onde se pode encontrar o que na "Poética" (Aristóteles) é chamado de "sublime". A poetiza consegue ali, aceitando o desafio muito útil de Harold Bloom, vencer: A angústia da influência - teoria de fins do século XX que até agora não parece encontrar rivais. Pois: de um dos heterônimos de Pessoa até Drummond, o assunto já foi tratado com maestria perene. Esta poetiza, achado de Ozias, dá o mesmo recado, mas consegue impor sua ASSINATURA pessoal. Nota-se o eco. Mas a forma é outra. Impossível negar a boa pena da escritora. Nestes tempos atuais de um Eros social e pessoal, partido (Freud e Baudrillard), não temos mais "história", nosso "Totem-referência" está sumido; ou não o construímos. E isto reflete na poesia. Nossos poetas carecem de num Norte. É compreensível que nas tentativas diversas, a maioria afunde.
Porém Juliana Meira mostra que, de novo, o "gênio poético" dorme às vezes, mas é como Eros e a Morte: eterno. E traz uma poesia moderna que não nega o Cânone. E sabe retirar dele, substrato para a continuação. Temos então uma poetiza de nosso tempo, de nossos problemas e alegrias. O que, sabidamente, dá-nos um alento. Já afastada da geração atual de poetas brasileiros que começaram a se firmar nos anos 1980, o "gênio poético" nos dá Juliana. O tom maior de suas formas é o poema simples, menos atado à fôrma, à pontuação e mais atuante na mensagem e na forma de apresentar o que hoje, está esquecido. Ler Meira é adquirir ferramentas para que se reerga um Eros mais coeso.
GUSTAVO GOULART é jornalista. Ex-crítico literário, ex-crítico de cinema. Atualmente, Consultor Político e de Comunicação. (Dizem alguns que é também, poeta. Coisa que ele julga ser apenas "intrigas da oposição".)
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